Aos Domingos é tempo de passear à beira-rio com a Avó e correr atrás das pombas.

Voa
Aos Domingos é tempo de passear à beira-rio com a Avó e correr atrás das pombas.

Voa
Viajando sem sair do local…
Deixar perder a imaginação. Ou a memória. Deixar fluir…
Passar por aqui e ali. Subir a um monte, ou olhar o infinito do Oceano para lá do qual tudo pode estar. Dar dois dedos de conversa com quem se cruza pelo mesmo carreiro. Perguntar como estará o tempo enquanto deixamos as ondas molhar os pés. Repousar para depois continuar. Sentar, e ler um livro. Ouvir. Ouvir o canto de um pássaro ou a melodia de uma canção.
Viajar.
Já algumas vez foram à teia de um teatro?
Subir
Subir degraus estreitos e íngremes
Pretos.
Que se enrolam sobre si mesmos.
E chegar de onde se vê o mundo de forma inesperada.
Uma teia de fios. Cortinas. Focos de luz. Cabos. Roldanas.
Atilhos e sarilhos se algo não funciona como deve.
Espreito. Pela grade negra feita chão. E pelo varandim.
Cocurutos loiros, morenos e carecas movem-se com o à-vontade de quem não se sente espiado. Os pés parecem dar pontapés no ar quando caminham. E os braços lembram aranhiços aflitos a passear quando gesticulam mais expressivos.
Chega o som de vozes que não distingo.
Sento-me e sinto-me escondida à vista de todos.
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Vens de mansinho, noite alta
Invades-me a cama
o corpo
e a alma
Procuro o teu calor
no vazio
dos meus lençóis.
Tomei um banho quente.
Perfumei-me.
E deitei-me
no meio de uns vazios
lençóis lavados.
